Ainda não consegui jogar sua foto fora da carteira...
Aliás, ainda não consegui te jogar fora da minha vida... Passei em frente ao P. Chaves ontem. Um monte de alunos saindo. O sinal tava fechado e a coisa mais difícil pra mim é acontecer o que aconteceu neste dia: Esperar você sair de um desses lugares que eu te pegava... Enquanto eu tava ali parado, saíram uns 40 pirralhos, e eu só conseguia pensar: A Julianna tinha que sair dali também... Tenho um áudio gravado de uma música do Kid Abelha que a gente tocou juntos. Eu sempre ouço sua voz cantando...
Honestamente eu não consigo ainda dizer se isso me faz muito mal ou muuuuito bem... Quanto mais as lembranças te trazem pra perto de mim, mais certeza eu tenho de que você não volta mais mesmo...
Sempre que abraço sua mãe, tenho a sensação de estar abraçando você... sempre que entro naquela casa, olho lá pro corredor e por um segundo só eu imagino que você está lá, dormindo, e eu na sala esperando você acordar. Era assim no começo do nosso namoro... Seu quarto era um território "intocável". Era tão bom assim... Aquele poster horrível do Rick Martin sem camisa era brochante. Hoje tudo que eu queria era te ver ali, parada, babando nele.
Aliás, eu queria te ver de qualquer jeito, em qualquer situação em que você pudesse estar em pé, com saúde, viva e trilhando seu caminho, mesmo que não fosse comigo do seu lado.
Seguramente eu trocaria de lugar com você naquele fim de semana, só para que você fizesses seus planos acontecerem como você sempre me contou... Não tenho mais coragem de ir para a Austrália e visitar todos aqueles lugares que você sempre quis conhecer. Fico tentando não pensar nisso, mas tem tanta coisa que você não teve oportunidade de viver e nem vai ter mais... Não vejo justiça na mecânica de funcionamento da vida.
Não entendo... de verdade...
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