sábado, 22 de novembro de 2003

Questionamentos

Na verdade esse blog vai ser um processo de cura... Fico imaginando o por quê você teve que entrar naquele carro, viajar naquele dia e qual a razão de apenas você ter partido. Quem sou eu para questionar os caminhos divinos, mas nos 5 anos que estivemos juntos, 3 fazendo planos de envelhecer um do lado do outro, aconteceu tanto e ao mesmo tempo tão pouco... Fico imaginando se foi o bastante segurar suas mãos, te fazer rir, te fazer chorar com as minhas criancisses, te matar de raiva com minha imaturidade... Esse talvez tenha sido o jeito de você dar o troco né?
Sabe o que é pior disso tudo? Eu não posso reparar... Não posso dar outra chance... Não posso nem ter a frustração de te perder para outro cara, o que seria infinitamente menos doloroso do que não ter um endereço pelo qual te procurar...
Falei em cura, mas não sei... Não sei bem se eu estou pronto para escrever como se eu estivesse endereçando isso a você... O pior de tudo é ter a certeza absoluta de que você nunca vai ler isso.
Eu podia ficar pedindo desculpas aqui pelas coisas todas ruins que eu te fiz passar, e com isso lembrar as partes ruins, mas você era muuuuito melhor do que qualquer situação ruim que eu tenha feito você passar comigo. Acho que eu nunca mais vou achar uma menina para empurrar meu carro velho e sem gasolina. Lembro também do dia que você falou em amor pela primeira vez, numa carta que eu tenho até hoje. Foi em 1997. To aqui, pouco depois de fazer 22 anos. E eu acho que vou ter que viver com a culpa de nunca saber como teria sido nossa vida juntos... Seu ataques de sonambulismo, o jeito que o seu nariz mexia enquanto você conversava, seu jeito tímido de falar sobre a gente... Que droga!!!!!
QUE DROGA!!!
Só consigo lembrar da noite que a gente decidiu que ficaríamos juntos, deitados no parabrisas daquele chevete velho que minha mãe tinha, olhando pro céu estrelado. Acho que eu nunca falei isso pra ninguém. Nunca contei como foi aquela noite, que a gente talvez tenha conversado mais do que qualquer outro dia ou noite. Já senti tédio várias vezes com alguns assuntos seus (desculpa por isso), mas nesse dia você me fez ter certeza de que eu tava com a menina certa. Foi nesse dia que eu comecei a te ver de outra maneira... Você não era mais a namoradinha com quem eu finalmente transava todo fim de semana... você era minha cumplice... A nossa mentira para os pais para fazer nossa primeira viagem juntos (escondidos, para Sacramento... duas criancinhas de 17 anos, eu sem habilitação), nossa tarde no lago.
O que eu mais gostei de você foi o jeito simples com que você levava a vida, com a forma que você via a gente... Nunca teve pressão de dinheiro. Comecei a sair de novo (desculpa por isso também), mas com nenhuma delas dá aquela "liga" que tínhamos. Tento não comparar, mas não adianta. Acho que no fundo, o problema é que nenhuma delas é você.

Sei lá... acho que é isso que tenho a falar...